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  Cultura - Tchiloli  
     

Desde o século XVI, uma peça de teatro, o Tchiloli, é encenada na ilha de São Tomé e Príncipe ritmando os tempos fortes do ano: as festas religiosas e as festas civis. A representação dura quase quatro horas. É uma obra atribuída ao poeta cego português Balthasar Dias: “A tragédia do marquês de Mântua e do Imperador Carlos Magno”. A peça foi introduzida em São Tomé e Príncipe no fim do século XVI pelos portugueses que vieram implantar a cultura de cana-de-açúcar.


A história desenrola-se durante a época carolíngia e foi trazida sem dúvidas pelos trovadores de origem borgonhesa a partir do século XI em Portugal.

O Tchiloli (nome crioulo da peça), mostra várias personagens históricas: Carlos Magno, seu filho Carloto, o Marquês de Mântua, Balduino, Reinaldo de Montalvão, Rolando. O encadeamento da história é construido em torno de um assassinato que dá lugar a uma longa apologia sobre a justiça. O assassinato acontece durante uma caçada, Marquês de Mântua descobre seu sobrinho Valdevinos, que agonisa. Valdevinos em agónia acusa o príncipe D.Carloto, seu melhor amigo, de o ter matado para lhe roubar a sua esposa, Sibila. Marquês de Mântua envia o duque de Amão e Beltrão a Corte de Carlos Magno para pedir justiça. É então organizado um processo na presença do defunto que é colocado entre as duas famílias. Uma carta encontrada, é levada por um jovem pagem, acabrunha Carloto. Apesar das súplicas da sua mulher, Carlos Magno condena à morte o seu filho na presença do ministrol da Justiça. D.Carloto recorre desta decisão com ajuda do seu advogado o conde Anderson mas em vão, Carlos Magno permanece inflexível.

Desde o século XVI que os são-tomenses apropriaram-se desta peça incluindo os seus próprios textos e a sua cultura. Os textos são também improvisados de acordo com a actualidade local. Os fatos e os acessórios são frequentemente contemporâneos: telefone portátil que serve para chamar o advogado, um relógio é utilizado por Carlos Magno que consulta a hora, óculos de sol em plástico são utilizados pelos actores que utilizam também pastas, máquinas de escrever.

A peça põe em cena um processo onde a justiça é feita, quer seja o acusado rico, quer seja o acusado pobre. A presença ainda muito importante desta peça após estes séculos passados pode ser explicada por dois factos essenciais. O primeiro é a visão do poder português em Carlos Magno e um público que se reconhece na pessoa de marquês de Mântua que é injustamente oprimido mas que resiste. O segundo é a representação da vítima que é omnipresente durante a peça que representa o culto dos Africanos para as mortes com a preocupação de honrá-los.

As companhias teatrais, denominadas “Tragédia”, que dão as representações de Tchiloli, são constituídas por cerca de trinta pessoas: todos homens que desempenham então os papéis das mulheres. Os papéis são hereditários, cada um dos actores possui o seu papel durante toda a vida e transmite-o aos seus filhos ou afilhados.

  Comentários  
    
 

MR GUAGUA - Terras Lusas

 

A NOSSA CULTURA É O NOSSO BEM MAIS PRECIOSO, MUITO OBRIGADO TODOS AQUELES QUE CONTRIBUEM E CONTRIBUI PARA A DIVULGAÇAO DA NOSSA IDENTIDADE.

 

Enviado 30/07/2011 20:07

 
    
 

Gualter Soares - Portugal

 

Esta é sem duvida o nosso orgulho de ser Santomense. Obrigado Alda do Esprito Santo, e os outros idolos da cultura desta linda terra SAO TOMÉ E PRINCIPE

 

Enviado 30/04/2011 15:47

 
    
 

Adérito loureiro - lisboa

 

que terra tão maravilhosa que eu deixei de vêr a alguns tempos.

 

Enviado 22/02/2011 14:35

 
    
 

EDMAR - LIsboa Portugal

 

coisas boas que nunca são esquecidas.minha terra maravilhosa S.TOMÉ E PRINCIPE

 

Enviado 23/12/2010 22:15

 
    
 

Ana Paula - Castelo Branco

 

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Enviado 18/12/2010 16:46

 
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