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  Fórum - A febre do comércio  
 

Há algum tempo atrás numa conversa num fim de tarde com um cidadão estrangeiro, ele todo maravilhado com a vegetação densa de S. Tomé e Príncipe fez a seguinte observação: “esse país é fantástico, se tiveres na mão uma bengala em madeira e ficares uns minutos a conversar, ela cria raiz em seguida”. Isto para ilustrar que o terreno é fértil. Ora bem, S. Tomé e Príncipe já foi grande produtor de cacau, cana-de-açúcar nos Séc. XV, XVII sem falar em café etc. Todos sabemos que a produção e a exportação trazem desenvolvimento para o país, contribuindo na redução da inflação importada, angariação de divisas para o país, até mesmo a promoção da imagem do país no estrangeiro. Mas hoje em dia, curiosamente mais ninguém quer trabalhar a terra, entrando todos na maré do comércio. Todos querem vender, vender e vender e ninguém quer produzir, resultado, têm que comprar fora para venderem no país. Isto é, têm que comercializar o produto dos outros. Em quê a importação de pequenos produtos nos ajuda? Povoar mais as nossas ruas de “candongueiros”? Não acham “figura triste” homens feitos, andarem pelas ruas com cuecas, e tralhas penduradas no corpo? Já não se consegue andar na rua em paz, candongueiros e candongueiros a querem enfiar-nos os produtos pela goela abaixo. E as nossas glebas, vão ficar ôbôs?

Eu há uns meses para cá, fiquei escandalizada com um facto que me ocorreu. Entrei numa loja pedi o óleo de palma que se encontrava na prateleira, e perguntei ao balconista a proveniência, para me certificar de que Roça era. E…quase caí para trás quando me respondeu que o óleo era da Indonésia. Será que temos realmente necessidade de importar óleo de palma da indonésia? Há razão para Cabo-Verde com o clima que tem exportar banana e nós não?

Temos imensos frutos nacionais e preferimos importar sumos, doces e compotas do estrangeiro, não há iniciativas para se poder aproveitar os excedentes de produção (quando há). Falo de agricultura, o mesmo acontece com a criação de animais. Até quando vamos pactuar com esse nosso “leve-leve”, caros irmão estamos a ser ultrapassados, o mundo hoje em dia exige mais de cada um de nós.

Deus disse “põe a mão que eu te ajudo”. Nada cai do céu, há que haver vontade e trabalho. O Estado São-tomense cometeu a besteira de fazer a distribuição de terras para agricultores sem condições de continuar o cultivo em vez de entregar as médias empresas, com alguma chance de explorar como é devido essas terras. É claro, os pobres coitados dos pequenos agricultores limitaram-se a abater as árvores que haviam no lote de terra para vender, e a praticarem uma cultura de auto-subsistência. A par de um apoio concreto e mais directo que o governo deve dar aos produtores, esforços deveriam ser consentidos no sentido de incentivar e facilitar o escoamento dos produtos tanto para o mercado interno como para o mercado externo. Nem que seja promoção de encontros entre o produtores, com a finalidade de troca directa. Para que zonas com potencial produtivo de banana mas com carência de pescado encontre formas de fornecer o produto a zonas com potencial de pescado e carência de banana.

É de louvar iniciativas como a fábrica “Mé-Zochi” que a base se frutos nacionais produz Whiskys e Licores, a empresa de Nova Moca do empresário italiano Cláudio Corralo, que produz cacau e café e também produz chocolates nacionais.

Não sei se os nacionais sofrem de preguiça mental, agravada com falta de apoio, ou se preferem mesmo estarem sentados a admirar os outros fazerem. Incomoda-me ver tantas potencialidades neste país que são pura e simplesmente desprezadas, mas enfim, quando não há vontade política nada se faz, não é? Os poucos projectos que aparecem, antes mesmo de iniciarem as actividades, o dinheiro já foi-se. O que é feito do “Projecto Pimenta”? Morreu? Qual foi a causa da morte?

Cada um de nós pode ajudar o país, se cada um em sua casa apenas consumir sumos naturais caseiros, e outros produtos mais, haveria maior consumo de fruta e assim seria um estímulo para o seu cultivo. O São-tomense por exemplo em suas casas só deviam fazer o uso de sumos caseiros, maionese caseira, assim como marmeladas, doces etc e dar valor àquilo que é nosso.

 

Celmira Fernandes

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