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S. Tomé e Príncipe
O Esquema Do “Banho” Nas Campanhas Eleitorais

Todos falam do fenômeno de compra de votos “Banho”
que ocorrem nas campanhas eleitoras. Ouvem-se críticas “aqueles
que criticam”, diz-se que é feio deixar comprar a consciência do
individuo, sobre a incompreensão de como este acto pode
influênciar os resultados das eleições, se resulta, é porque o
povo é muito burro ou pouco instruído e porquê que as
autoridades competentes não tomam nenhuma medida!?
Não será justo
receber “Banho”?!
Pois
bem, entende-se que tudo que seja compra de consciência do
individuo é mau, uma vez que, devemos fazer as nossas escolhas
em consciência e de consciência livre. Contudo, numa situação de
Pobreza e carência à nível de tudo ou quase tudo no país,
da falta de electricidade até a falta das três refeições
diárias, derivado de Má Gestão da coisa pública, dos
poucos bens que o país possuí, desde da independência até o
descalabro da abertura democrática, o que não quer dizer que a
chegada da Democracia fosse mau, destruição das infra-estruturas
e todo o resto. Colocou-se o país numa situação de pobreza
extrema, que atingi não só o mais humilde dos cidadãos, como
toda a classe social do país. Isto é, quando não há energia
elétrica, atingi à todos, mesmo que não seja de forma igual,
mesmo que haja quem tenha dinheiro para importar um gerador.
Quando não há um bem de primeira necessidade no país, atinge a
todos, mesmo que haja quem tenha dinheiro para importar.
Desta forma parece evidente, que se começa
a criar uma Instabilidade Social, pois a população em
geral, se encontra insatisfeita, acabando assim por culpar os
seus lideres no poder, da razão resultante da sua pobreza
vivente. É deste tipo insatisfação generalizada que ajuda o
surgimento de revoluções ou apenas de reformas, no caso, na
política. Primeiro, origina uma Instabilidade Política,
que resultou na abertura democrática, por exemplo, e agora,
resultando nas Eleições democráticas, que é a única saída
legal e que satisfaz todos em geral, por enquanto.
Encontrando-se o país, numa situação de
Pobreza, será lógico que os políticos, sabendo das
necessidades desta população invistam máxima quantia que poderem
para comprarem aquilo que nas eleições é o mais importante, os
votos. Pois os discursos de melhoria da condição de vida dos
cidadãos, já não são convincentes. Também parece normal que, o
povo, esteja disponível para trocar um dos seus maiores bens do
momento, a consciência de voto, por favores, que só nessa altura
das eleições encontram toda abertura, por parte da classe
política, para realizá-las. E desta forma melhorar, ainda que
individualmente e temporária, a sua vida diária. Como por
exemplo, poder ter três refeições diárias durante uns bons
meses, fazer uma estrada numa determinada localidade, comprar um
bom candeeiro, um gerador de energia elétrica, ou mesmo trocar
uma grade de cerveja pelo seu voto. Os que não conseguirem
receber esse tal “Banho” não se sentiram com disposição
para votar, pois julgam que não ganharam nada com isso e as
coisas continuaram nas mesmas, quer votem ou não. Dai que
abstenção é um factor a ter em conta.
As Eleições e o “Banho”
nas campanhas eleitoras acabam sendo, o momento em que o país
parece revitalizar-se, pela entrada de capital, pela
movimentação dinheiro, de mercadorias e de pessoas, durante a
campanha. Movimentação esta, anormal para um país calmo, como
S.Tomé e Príncipe. Logicamente, que toda a população, fica a
espera e, as vezes até pressiona, para que ocasiões como essas,
voltem a se reproduzir, por muitas vezes mais.
Entretanto, tanto os actores da compra de
votos como os que receberam o “Banho” acabam se
prejudicando automáticamente, pois com a entrada excessiva de
capital, dinheiro no país, permitiu o aumento do poder de compra
do cidadão e consequêntemente, quando a procura é muita, o preço
da mercadoria aumenta. E as vezes, muita acima das
possibilidades do comprador. Temos de tal modo, a Inflacção
a pressionar a economia do país, associado à Má Gestão,
recorrente, do estado e por falta, supõe-se, de boa assessória
de gestores no governo, aprofunda-se ou afunda-se, cada vez
mais, o país em dívidas externas e a população volta a sentir o
fraco poder de compra, de maneira mais intensa do que
anteriormente e o calor forte da pobreza se faz sentir.
Permite-se, por conseguinte, que todos voltem a pensar nas
Eleições, no “Banho” que não têm já há algum tempo e
durante algum tempo os fez viver, bem melhor que agora.
Num país onde a população é o numero de
empregados de um dessas grandes empresas multinacionais,
existentes pelo o mundo a fora, é claro que o problema se
encontra na falta de bons assessores na área de gestão do
governo. Salvaguardando sempre, que gerir um país, não é o mesmo
que gerir uma empresa. Isso todos já sabemos.
Veja-se, pensar-se que o povo é burro, ou
seja, analfabeto, pode ser bastante ilusório quando se esta
avaliar a questão do “Banho” em S.Tomé e Príncipe, até porque
S.Tomé e Príncipe é considerado um dos estados mais
alfabetizados de África. Certamente que quando aparecer alguém
ou um movimento, que possa alterar o curso das coisas,
seguramente que o posso São-tomense não hesitará a escolhê-lo(s),
para liderança rumo ao desenvolvimento.
Nota: O esquema apresentado não tem nenhuma pretensão de ser
cientifico, é apenas uma maneira de fazer entender melhor ao
leitor, o conteúdo do artigo.
Humbah Aguiar
Leeds 01-03-2010 |