É preciso
reconhecer, apoiar e valorizar os nossos artistas ou os que
fazem cultura em São Tomé e Príncipe, para que, uma vez
conquistado o espaço cultural são-tomense, eles possam também,
conquistar e levar a nossa cultura além fronteiras. Pois a
cultura é, indubitavelmente, um dos meios cruciais de atracão,
não só turística, como de investimento e desenvolvimento do
país. Já para não falar, da nova geração que não tem referências
culturais são-tomenses suficientes, agarrando-se,
consequentemente, a culturas de outros países. Contudo, ao
reflectirmos sobre o assunto, algumas perguntas se nos colocam:
- Mas será por falta de apoio, nomeadamente estatal, que não
conhecemos nenhum artista são-tomense de renome internacional!?
- Será que não existe, nem um, são-tomense com o nível, por
exemplo, de uma Cesária Évora, de um Gil Semedo, de um Bonga, de
um Mia Couto, Manécas Costa, de um Malangatana?!
- Ou será por falta de mérito próprio, desses mesmos artistas ou
fazedores da cultura, que não chegamos a esfera internacional!?
Também não temos duvidas, que S.Tomé, parece não ter um
Ministério da Cultura, empenhado em apoiar os nossos artistas.
Os poucos que vêem algum apoio, ainda que diminuto, quase de
certeza, que precisaram estar ligados ao partido no poder ou ter
apoiado algum candidato político. Ora, se utilizamos os nossos
artistas para fazer política, eles só nos servem enquanto
tivermos em campanha ou no poder. Depois surgi um outro partido,
diferente da cor política que o artista ou fazedor da cultura
apoiou, e este ultimo, desaparece até que o seu partido volte ao
poder. Logo, não temos artistas, entenda-se, como homem livre no
seu pensamento e na forma que escolhe para expressar, essa mesma
liberdade de pensamento. Os passaportes culturais ou de serviço
que são atribuídos e retirados, sem qualquer justificação
plausível, é um sinal que evidencia, assassínio cultural a que
estão sujeitos.
Acredito e penso não ser o único, que conhece, ainda que poucos,
artistas são-tomense de grande potenciais, na sua forma de
expressar as ideias, quer na área da escrita, da música, do
teatro e em todas as outras formas de expressão culturais.
Alguns até já foram laureados, simbolicamente, em Portugal por
um grupo de estudantes, que é dirigido por mim, “O Grupo de
Divulgação da Cultura São-tomense”. Eu diria que se o estado, os
novos sucessivos governos não tem um planos de acção claro e
definido para a cultura, uma política de Market de país, que
envolve essencialmente a nossa cultura, os nossos fazedores de
cultura/artistas, também parecem não terem planos nenhuns para
as suas próprias carreiras, salvo raras excepções.
Qual é o músico são-tomense, que tem regularmente aulas de
música?! Qual o escritor, pintor são-tomense que com o pouco
dinheiro da venda da sua obra, investiu para fazer apresentação
da obra ou uma maior publicidade no estrangeiro?! Qual é o grupo
teatral ou actor, que quer ter mais conhecimento do teatro, que
tentou fazer um intercâmbio com os actores de outra parte do
mundo?!
Eu conheço, se calhar, um ou dois, que tentaram não ficar a
espera, apenas do apoio do estado, para transporem as nossas
fronteiras e de alguma forma, terem uma projecção internacional.
Estarei errado?! Julgo eu que não!!!
Os fazedores da cultura são-tomense fazem, arte ou paleio?!
Sim, a maior parte dos nossos artistas mas parecem utilizar os
seus talentos, para aquilo que chamamos de paleio (exibir-se),
não porque querem viver do seu talento, não porque querem
atingir um patamar internacional. Para esses, basta-lhes serem
conhecidos em S.Tomé. Como dizia um deles: “Chê patamar
internacional pra quê?! Em S.Tomé é que estão as pequenas que
gente quer, pá!”. Outros há que passam a vida a reclamar falta
de apoio dos são-tomenses, que preferem comprar e ouvir música
dos cabo-verdianos, ou comprar quadros e livros de autores
estrangeiros. O que não se apercebem, é que o publico pode
parecer, mas não é totalmente ignorante, só compra, lê e ouve,
os livros ou discos que têm conhecimento de serem bons, só vão
assistir a um espectáculo que realmente é uma inovação e não uma
repetição, cada vez mais arcaica!!!
Poucos são os que como o falecido Camilo Domigos (músico), que
ainda é o nosso artista mais conhecido e respeitado além
fronteiras, como João Carlos Silva (apresentador de programas de
culinária), cujo os seus programas e livros são visto e lido
pelo mundo a fora. Apesar de todas as criticas que se lhes
possam fazer, a que reconhecer que foi por mérito próprio que
esses, fazedores ou mesmo divulgadores da cultura são-tomense,
chegaram aonde chegaram. E que não digam que foi ajuda do
estado. Porque se não levassem a sério o seu trabalho nunca,
ninguém o faria por eles. Desculpem a minha ousadia!!! Mas se
tivesse que lhes atribui alguma classificação, diria que são:
Cidadãos nota 20.
É necessário que o estado e os governos criem, ou ajudem a
criar, editoras de música, editoras de livros, grupos de teatro,
exposições internacionais de pinturas. No entrementes, se os
nossos artistas e fazedores de cultura, não deixarem de ver a
arte, como forma de fazer paleio, de nada valerá esse apoio
estatal, que todos reclamam.
Camilo Domingos e
João Carlos Silva
Cidadãos nota 20
Humbah Aguiar