
O Auto da Floripes é o
'Tchiloli' de Príncipe. É exclusivamente
encenado uma só vez por ano, 10 de Agosto, dia
do santo Lourenço. A festa dura um dia. O autor
da peça é desconhecido e não se sabe como foi
introduzida na ilha. A festa se passa da
seguinte maneira: desde a madrugada do dia 10 de
Agosto é dado uma alvorada nas ruas de Santo
António pelo embaixador cristão e pelo
embaixador mouro que reúne os actores ao som dos
tambores e das cornetas. O embaixador cristão
está a frente da igreja e o embaixador mouro
está na outra extremidade da rua, do outro lado
do rio. O encadeamento da história é construído
em volta da guerra de Carlos Magno e dos seus
doze pares contra o Almirante Balão e seus reis
mouros. A guerra pode ser evitada se um dos
grupos se converter à religião do outro. Cada
grupo envia então, um embaixador para pedir ao
outro que se converta a religião do grupo
oposto. Três horas de combate opõem Olivério e
Fierabras que é o filho de Balão. O amor de
Floripes, filha de Balão, se converte ao
cristianismo e salvará assim Guy de Borgonha,
Olivério e os outros.
A peça se desenrola em
diferentes lugares da cidade. O papel de
Floripes é desempenhado por uma jovem virgem de
Príncipe que é escolhida entre as mais belas. Os
outros papéis, como no Tchiloli, são
hereditários. Não há nem orquestra nem danças. A
festa acaba por volta das 20 horas.
Como no Tchiloli os
anacronismos fazem parte da peça: o guarda
escruta com binóculos o céu, no caso do
Almirante tentar um ataque aéreo. Os trajes são
multicores e sarapintados.