Origem e Evolução
Embora com algumas incertezas relativas ao ano e a quem
(já que os dois cronistas portugueses da época, Gomes
Eanes de Zurara e Rui de Pina, não fazem referência a este
facto nas suas crónicas), a maioria dos historiadores
situa o descobrimento - ou achamento de S. Tomé em 1471, a
21 de Dezembro, dia deste apóstolo, por João de Santarém e
Pedro Escobar (estátuas na foto + João de Paiva). Estes
dois navegadores estavam ao serviço de Fernão Gomes,
arrendatário das terras africanas do rei D. Afonso V. Um
ano mais tarde chegariam à ilha do Príncipe.
Em 1485 terá desembarcado em Ana Ambó, na
costa NW da ilha, o primeiro grupo de colonos,
capitaneados por João de Paiva, a quem a ilha de S. Tomé
teria sido doada por D. João II. Alguns anos depois, em
1493, este grupo deslocava-se de Ana Ambó para a baia de
Ana Chaves, local actual da cidade de S. Tomé. Sendo uma
zona de declive reduzido, seria mais fácil o cultivo e a
progressão para o interior.
Origem do Angolar
O Angolar (também conhecido como ngolá) é uma
língua nacional de São Tomé e Príncipe, falada na ponta sul da
ilha de São Tomé, principalmente em torno da vila de São João
dos Angolares, distrito de Caué.
Apesar de se considerar um crioulo de base
portuguesa, o angolar difere grandemente dos crioulos da
Guiné-Bissau, Senegal, Gâmbia e Cabo Verde. O substrato do
angolar assenta principalmente nas línguas kwa de raiz bantu,
faladas na Costa do Marfim, Gana, Togo, Benim e Nigéria.
Partilha 70% de semelhança lexical com o
são-tomense (ou forro), 67% com o principense (ou lunguyè) e 53%
com o anobonense (ou fa d'ambu) da vizinha ilha de Ano Bom
(Guiné Equatorial). Os 30% de léxico em que o angolar difere do
são-tomense vão buscar as suas origens ao quimbundo e ao
quicongo de Angola.
Os angolares são um grupo étnico distinto que
tem a sua origem atribuída ao naufrágio, ao sul da ilha de São
Tomé, de um navio negreiro com escravos trazidos de Angola em
meados do século XVI.
Muitos angolares actualmente falam também
são-tomense e/ou português e há uma tendência para se integrarem
nos forros -- que significa homens livres -- que constituem o
principal grupo étnico de São Tomé e Príncipe.
Ciclo do Açúcar
A cana do açúcar, introduzida em 1501 a partir da ilha
da Madeira, foi o primeiro produto agrícola de rendimento.
Devido à fertilidade do solo e do clima favorável, esta
produção rapidamente prosperou registando-se, poucos anos
depois, a presença de 60 engenhos de açúcar em toda a
ilha.
A meio caminho entre a Europa e o Brasil, S. Tomé
tornou-se um grande entreposto comercial, nomeadamente do
comércio de escravos apanhados em toda a região do Golfo
da Guiné e enviados, na esmagadora maioria, para o Brasil.
O fabrico de açúcar, o comércio de escravos, a produção
da pimenta e a exportação de madeiras eram, no século XVI
a principal fonte de rendimentos de S. Tomé.
No final deste século a instabilidade sentida
intensificou-se, como resultado da luta pelo poder entre o
governador e o Senado da Câmara (representantes dos ricos
proprietários), o clero e o poder civil e entre estes, os
forros e a enorme massa de escravos em luta pela
liberdade. A juntar a estes factores, acresce ainda as
frequentes incursões de piratas e corsários.
Nos Séculos XVII e XVIII, assiste-se a um declínio
económico das actividades produtivas ( produção de açúcar
passou de 4 500 toneladas no final do século XVI para
menos de uma tonelada em 1610), devido à substituição das
agriculturas de alto rendimento pela de subsistência, um
forte fluxo migratório para o Brasil - que reunia melhores
condições para o cultivo da cana de açúcar e o apetite de
outras potências coloniais sobre esta ilha. Em 1641 a ilha
chegou mesmo a estar ocupada pelos Holandeses e em 1753 a
capital teve de ser transferida para a ilha do Príncipe.
O tráfico de escravos e o abastecimento em água e
víveres dos barcos que ligavam a Europa à Índia e ao Novo
Mundo, eram as principais actividades económicas deste
período.
Ciclo do café e do cacau
Este ciclo foi determinante para a evolução até ao
presente de S. Tomé e Príncipe. O elevado valor nos
mercados europeus do café- introduzido em 1800, e do cacau
(planta na foto) - introduzido em 1822, provocou uma
rápida expansão destas culturas, favorecida pelo clima e
natureza dos solos e limitada apenas pelo relevo vigoroso
no interior das duas ilhas.
Novas vagas de colonos ocupam progressivamente o
território, quer através da desflorestação da floresta
virgem, quer ocupando a terra anteriormente pertença dos
nativos – os forros, muitas vezes por métodos ilícitos ou
mesmo pela força. Estas ilhas vêem assim reforçada a sua
condição de entreposto, pela exportação destes produtos e
pela importação de escravos.
É neste período que surgem as grandes Roças coloniais
(na foto Roça Agostinho Neto, ex-rio do Ouro), autênticos
estados dentro do estado. Estas ocupavam a esmagadora
maioria do território e o poder administrativo público
terminava nos portões de entrada. A partir daí a vontade
do patrão era soberana.
No início do século XX, S Tomé e Príncipe atingia o
auge deste ciclo, sendo após a I Grande Guerra (1918/1919)
o primeiro exportador mundial de cacau. Nos anos 20
assistiu-se uma quebra enorme da produção que nunca mais
atingiu os valores registados devido a causas internas e
externas.
Independência
Proclamada a 12 de Julho de 1975, a independência de S.
Tomé e Príncipe trouxe um regime de orientação socialista,
baseado no partido único, possuindo o Estado o controle
absoluto de todas as actividades socio-económicas e
culturais. A gestão era centralizada enquadrada nas
orientações do plano.
A aprovação da nova constituição em 1990, por referendo
popular veio encerrar este ciclo de resultados francamente
desanimadores a vários níveis. Iniciou-se o ciclo da
mudança, assente, no plano político, no multipartidarismo
e na livra iniciativa e livre concorrência, no plano
económico