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Primeiro-ministro visita Taiwan durante uma semana
 

O primeiro-ministro são-tomense iniciou uma visita oficial de uma semana a Taiwan a convite do governo deste país. Rafael Branco disse que não vai assinar qualquer acordo com a ilha formosa. “Esta viagem serve-nos, sobretudo, para sublinharmos as nossas prioridades, as urgências que nós temos e alguns aspectos da nossa cooperação que gostaríamos de ver desenvolvidos”.

O chefe do governo sao-tomense chefia uma delegação que integram os ministros dos negócios estrangeiros e cooperação, Carlos Tiny e da administração territorial, Raul Cravid.

Rafael Branco é presidente de um partido (MLSTP) que tem relações privilegiadas com o Partido Comunista Chinês.

Interrogado sobre se essa sua deslocação a Taipe não poderá influenciar as relações MLSTP/Partido Comunista Chinês, respondeu que “temos relações de estado com a república de Taiwan e essas relações estão num bom nível, satisfazem os interesses dos dois estados e é nessa qualidade que vou a Taiwan”.

Rafael Branco sai de Taiwan na próxima quinta-feira para Portugal onde deverá permanecer cerca de uma semana em visita privada.

 

Fonte: Jornal Vitrina

06-09-2008

Presidente de Cabo Verde defende estratégia comum de gestão da língua portuguesa
 

O «mais velho» dos Chefes de Estado da CPLP, Pedro Pires acredita no futuro da Comunidade e nas potencialidades da língua portuguesa como factor de desenvolvimento para todos os países-membros.

Aos críticos e aos descrentes da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) pede lucidez e perseverança. É adepto do alargamento da Comunidade aos Estados vizinhos dos países lusófonos mas no respeito de critérios claros de adesão. Confia que as eleições em Angola serão um sucesso, exemplo e esperança para toda a África.

A CPLP tem futuro? Sempre que se fala na imprensa é para pôr em dúvida a sua utilidade.

PEDRO PIRES. É uma falta de respeito para connosco. É dizer que gastamos o nosso tempo à toa, sem objectivos. Rejeito esta visão, embora compreenda a impaciência daqueles que querem ver resultados concretos e imediatos. Também se diz que falta à CPLP um grande projecto económico. Mas há uma aproximação entre os países, compreensão, solidariedade e vários projectos, alguns deles cruzados. É assim que se tecem os laços e se fortalece a comunidade.

O que achou da cimeira de Lisboa?

Foi uma boa reunião, bem organizada. Acho que o secretário-executivo cessante Luís Fonseca fez um trabalho louvável, pensando no futuro, para dar maior eficácia à comunidade. Na cimeira avançou-se um pouquinho mais e estão criadas as condições para que a organização funcione e aja de maneira diferente, na base de um programa que foi apresentado pelo primeiro-ministro português.

José Sócrates chamou-lhe a Cimeira da Língua.

Considero importante e oportuno que elaboremos uma estratégia comum de gestão da língua portuguesa. O domínio da língua é um instrumento fundamental de formação e qualificação das pessoas, de aquisição e transmissão de conhecimentos. Não defendo uma espécie de nacionalismo linguístico, porque no mundo de hoje estamos condenados a falar vários idiomas. Mas as relações entre as línguas não são pacíficas, há competição, línguas que tendem para se tornar dominantes. O nosso combate é para que a nossa língua, que é património de um universo de mais de 240 milhões de pessoas não definhe, que tenha pujança e se afirme como língua internacional.

A directora do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, Amélia Mingas, queixou-se em Lisboa de ter de «fazer omeletas com cascas de ovo»…

O IILP não funciona mas a língua portuguesa nunca teve tantos falantes! A expansão do português depende em primeiro lugar do desenvolvimento da escolarização, do ensino e da comunicação em cada um dos Estados-membros. À medida que a educação em português progride, a língua expande-se naturalmente, sem políticas agressivas. Há que fomentar a leitura e acho que os meios de comunicação social deveriam cuidar mais deste seu papel. Sem esquecer as comunidades de emigrantes espalhadas pelo mundo.

A outra vertente estratégica é diplomática, para fazer do português uma língua de trabalho nas grandes organizações internacionais, como já acontece em África nas organizações regionais a que pertencemos. Finalmente, devemos ser mais activos e imaginativos no que diz respeito à transmissão de conhecimentos científicos e tecnológicos em português. Estou convencido de que as medidas que foram aprovadas darão resultados visíveis.

Que significa a CPLP para Cabo Verde, um país respeitado, que acaba de ser admitido na OMC, que tem um acordo especial com a União Europeia e boas relações com todos os países e regiões do globo?

O facto de Cabo Verde ter desenvolvido uma política externa dinâmica e bem sucedida não quer dizer que deva fechar-se sobre si próprio e desinteressar-se do que acontece no resto do mundo. Somos um país pequeno em território e população e tivemos necessidade de sair das ilhas, de emigrar. Temos fortes relações económicas com Portugal, Brasil, Angola e o facto de falarmos a mesma língua, de termos afinidades socioculturais é um vector importante. Mas há outro que é produto da História e da própria vida. Fizemos um determinado percurso com os países que constituem hoje a CPLP. É nesse espaço que nos tornamos mais fortes, porque há solidariedade e a solidariedade ajuda sempre.

Esta é uma opinião partilhada por todos os países e todos os chefes de Estado da CPLP?

Acho que sim. Mas é preciso paciência e perseverança. Estamos a construir, estabelecer, restabelecer e desenvolver relações económicas e de solidariedade. Há confiança e uma cumplicidade natural que deve ser melhorada e aprofundada.

Há um grande número de iniciativas da sociedade civil no âmbito da CPLP e, no entanto, é entre os intelectuais, as elites, que surgem as mais duras críticas. Como explica esta aparente contradição?

Talvez estejam a espera de ver grandes obras, resultados mais visíveis. Os intelectuais são sempre cépticos e a crítica é uma das suas funções sociais. As críticas, mesmo desagradáveis, são sempre bem-vindas quando ajudam os políticos a ter uma melhor percepção das realidades. Já não são positivas quando põem em causa a boa fé e o empenho dos dirigentes.

Concorda com o alargamento da CPLP a países que não pertencem ao espaço lusófono?

Deve-se estabelecer critérios porque uma abertura excessiva faria a Comunidade perder o sentido da sua existência. Acho positivo o facto do Senegal querer participar e dar um contributo. É um país que tem uma extensa fronteira e fortes afinidades com a Guiné-Bissau e algumas com Cabo Verde. Parte da população senegalesa fala o crioulo e há numerosas comunidades cabo-verdianas e guineenses no Senegal. Além disso, pode reforçar a posição de Cabo Verde e da Guiné-Bissau na CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental] e ajudar a quebrar as fronteiras entre lusófonos, francófonos e anglófonos na região.

E a Guiné Equatorial?

Fui das primeiras pessoas a defender a participação da Guiné Equatorial na CPLP e voltei a fazê-lo nesta Cimeira. Se é o desejo deste país, não vejo razões para estarmos contra. Do ponto de vista histórico, linguístico, e geoestratégico, a Guiné Equatorial está dentro do espaço comum e quer estreitar as relações com São Tomé e Príncipe e com Angola.

Mas o Presidente Teodoro Obiang é acusado de graves violações dos direitos humanos e dos princípios democráticos.

As pessoas que fazem essas críticas não são realistas e revelam uma falta de estratégia. Sejamos sérios e leais uns com os outros, porque nestas questões da defesa da democracia e dos direitos humanos não podem haver dois pesos e duas medidas. Não me parece que seja isolando um país, banindo os seus dirigentes, que vamos conseguir progressos. Não acredito nas sanções como meio para provocar mudanças internas. O diálogo e o convívio já provaram serem muito mais eficazes.

Angola vai ter em breve as suas primeiras eleições em tempo de paz. Qual vai ser o impacto deste escrutínio?

Acredito que as eleições vão correr bem e que as próximas eleições presidenciais serão o fecho de todo o processo de passagem da guerra para a paz e a normalidade institucional e democrática.

Sempre fui contra a realização de eleições logo após o fim dos conflitos. Disse-o publicamente na ONU e tive uma longa conversa com o ex-secretário-geral Kofi Annan a este respeito. As eleições nunca são a solução milagre. Quando se realizam demasiado cedo aprofundam as divisões em vez de sarar as feridas abertas pelos conflitos. É preciso criar antes um clima de confiança entre os ex-beligerantes, estabilizar, reconciliar e repor em funcionamento as instituições do Estado. Isto consegue-se através de compromissos internos e do papel aglutinador do Presidente e do Estado.

Em Angola aconteceu isto. E agora, seis anos depois do fim da guerra e com uma situação mais ou menos normalizada, há condições para realizar eleições que serão o último acto do processo de transição e o primeiro de uma nova fase de desenvolvimento.

Angola está chamada a ter um papel muito importante na região austral e em toda a África devido ao seu peso económico, mas, sobretudo, porque tem instituições e um Estado que funcionam como elemento de integração, unificação e desenvolvimento do país. A emergência de uma Angola forte, próspera, social e politicamente pacificada depois de décadas será um exemplo e um estímulo para todo o continente.

 

Fonte: África21

             06-09-2008

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